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Proposta de apresentação vencedora da nossa escritora Katharyne Chinaia:

Eram exatamente 6 horas da manhã quando acordei, me sentindo sonolenta como nunca antes, meus olhos verdes agora pareciam ter um tom castanho claro e minha cabeça pesava. Decidi ligar para o Matheus na tentativa de desmarcar nosso tal encontro, foi inútil, o garoto ficou aos berros, dizendo que era de extrema urgência e importância.
– Deve ter encontrado o pote de ouro no fim do arco-íris, não é possível! – Pensei.
Havia muita neblina, estava começando a me perder em meio à floresta, quando o avistei. Estava vestindo um jeans surrado, combinando com seu cabelo castanho desajeitado, seus olhos brilhavam de uma maneira inusitada, sua mão segurava um martelo e isso era tudo o que ele tinha.
-Matheus! O que é que você está fazendo aqui com este martelo?
-Oi pra você também, Rafaela. Dormiu bem?
-Nem começa com suas gracinhas. Não vim aqui pra construir a casinha dos três porquinhos com você. Me diz, o que é tão importante pra você ter me feito acordar tão cedo.
Sem dizer uma única palavra, ele pegou minha mão e me guiou até chegarmos a uma área aberta, qual se parecia com um grande círculo, deveria ter cerca de 15 metros de diâmetro, haviam folhas secas por toda extensão, o que era extremamente estranho, pois estávamos em meio à primavera, não havia sinal de pássaros ou qualquer outro ser vivo, era um silêncio absoluto. Minha atenção foi totalmente desviada quando avistei uma caixa de madeira escura, totalmente lacrada por centenas de pregos, não era grande, mas também não era pequena, uma luz de tom azulado saia pelas frestas. Tive um calafrio ao sentir a brisa gelada, engoli em seco e olhei assustada para meu amigo.
– O que você acha? Encontrei ontem, estou tentando abri-lá.
– Você faz ideia do que pode ter aí dentro? -Perguntei assustada.
-Já ouviu falar em Caixa de Pandora?

Proposta de desenvolvimento vencedora da nossa escritora Katharyne Chinaia:

Por um momento achei que Matheus estava me pregando uma peça, mas ao olhá-lo, percebi que ele realmente estava falando sério.
– Como é possível um artefato da mitologia grega estar literalmente na nossa frente?
– De acordo com as pesquisas que fiz noite passada, essa caixa tem as mesmas características da caixa do mito, além disso, como você já deve saber, como consequência da curiosidade, Pandora, ao abrir a caixa deixou que todos os males se espalhassem… E hoje eu notei um pequeno buraco na caixa, o que talvez explique esse cenário.
– Mas as desgraças não foram destinadas somente aos homens?
-Uma coisa influência a outra, não?
Tomando uma decisão precipitada, falei:
– Então vamos abrir a caixa o quanto antes, estou tão curiosa quanto Pandora.
Ao analisar a caixa, constatei diversos entalhes de símbolos gregos perfeitamente trabalhados e uma figura que aparentava ser Zeus. Matheus me entregou um martelo e enquanto íamos retirando os pregos com tamanho cuidado, o que antes era uma brisa agora se tornava uma ventania, qual me deixou um tanto apavorada e preocupada, a luz azulada ficava cada vez mais forte, consequentemente limitando minha visão.
Assim que retiramos a tampa, fui tomada por uma energia repugnante, minha visão ficou turva e tudo escureceu.

Proposta de clímax vencedora da nossa escritora Katharyne Chinaia:

Acordo atordoada como se tivesse levado uma pancada muito forte na cabeça e ficado desacordada por dias, no entanto, me reparo com o mesmo cenário como se nada tivesse acontecido. Aos poucos vou retomando minha consciência e relembrando dos acontecimentos anteriores, o medo começar a tomar conta do meu corpo e eu entro em estado de choque ao ver uma figura extremamente estranha e distorcida me fitando ao longe, me coloco de pé instantaneamente e levo um grande susto ao sentir meu braço sendo puxado. Para minha sorte, era o Matheus, ele aparentava estar muito assustado, seu rosto estava pálido.
– O… O que aconteceu? –perguntei
-Eu não sei, mas acho melhor irmos embora o quanto antes. A caixa sumiu… –ele responde num sussurro.
Meu olhar percorre por toda a área e não vejo nenhum sinal da caixa, ela não pode simplesmente ter sumido, é impossível! Começo a ouvir estalos em algum lugar em meio às árvores, procuro em todas as direções e não vejo nada, meu temor aumenta cada vez mais.
-Rafa… O que é aqui… – Matheus chama a minha atenção e sigo seu olhar.
Antes que ele pudesse terminar, a figura que eu havia visto vinha em nossa direção como se fosse nos devorar ou algo parecido.
– EPIMETEU E PANDORA! QUE BOM VÊ-LOS NOVAMENTE… -a voz da criatura é tão distorcida quanto sua forma.
– O que? QUEM É VOCÊ? – Matheus gritou.
-Eu me chamo Agnes e vim acabar com o joguinho de vocês. –consigo sentir a raiva em seu tom de voz.
Agnes começa a chegar cada vez mais perto, instintivamente começo a dar passos para trás me segurando ao braço do Matheus. Por que ela nos chamaria de Epimeteu e Pandora? E de que joguinho ela estaria falando?
– Vocês não aprendem nunca, séculos e mais séculos se passam e continuam a abrir esta maldita caixa. Porém, isso acaba hoje, aqui e agora! –Agnes começa a vim em nossa direção novamente.
– Corre. –foi a única coisa que eu consegui dizer.
Começamos a correr e antes que pudéssemos entrar em meio à floresta, inúmeras criaturas passam a aparecer a nossa volta.
-Estamos cercados. –engoli em seco.

Proposta de desfecho vencedora do nosso escritor Wanderley Gonçalves:

Enquanto corríamos em direção à floresta, Agnes parou de se mover.
– Ao redor de vocês se encontra todos os males deste século, mas não se preocupem, eu não sou um deles. Sou Agnes, a deusa representante da pureza, honestidade e da virtude, e não é a primeira vez que alguém abre essa maldita caixa me trazendo de volta a este mundo novamente.
– Ma-mas….eu não sabia que a caixa era real e que despertaria esses males. Afinal, o mundo já os possui em demasia…
– disse Matheus suando frio e com o coração quase saltando pela boca.
– Ah, Epimeteu, como sempre fazendo jus ao seu nome e julgando tudo previamente. Olhe atentamente ao seu redor e me diz o que vê. – a mulher o desafia.
Então, este foi o único momento em que Matheus teve para pensar em onde estava e o que estava acontecendo. Percebeu que à sua direita havia uma criatura dotada de uma beleza forçada e de uma riqueza inigualável – esta representada por uma considerável quantidade de ouro em forma de adornos em seu pescoço e nos braços – além de um olhar triste e um sorriso amarelo estampado no rosto. Ela era a Ambição.
Mais à esquerda, encontrava-se uma criança, sendo mais exato: um garoto. Este protegia junto ao seu peito uma porção de brinquedos e não os largava por nada. Ele era o Egoísmo.
Na frente dos dois jovens havia o pior deles: a Ignorância. Esta sendo representada por uma mulher velha com os cabelos rasos e da espessura de fios de teia de aranha. Os olhos eram brancos, um branco opaco e permaneciam fechados na maior parte do tempo. Bem próximo aos seus ouvidos, havia uma pequena espécie de ser que lhe murmurava coisas, o que a deixava cada vez mais inquieta.
Matheus não teve tempo de responder à Agnes.
– Vocês percebem que essas criaturas estão se tornando cada vez mais assustadoras com o tempo? – questiona Agnes sem obter uma resposta.
– Pois bem, o motivo dessas criaturas serem assim é o fato de que, com o passar dos séculos, elas vêm ganhando cada vez mais força, pois estão se unindo. Como podem ver, a Ignorância se juntou à Discórdia, que é essa criaturinha ao pé de seu ouvido. Aqui não está nem um terço dos novos males em que vocês têm criado, porém vocês não foram os primeiros a abrir esta maldita caixa nestes novos tempos, então por ora é o que temos. Boa sorte! – diz a Deusa.
– Ainda não consigo acreditar em tudo isso. – Diz Rafa indignada.
– Como podemos resolver essa situação, Agnes? – Matheus questiona com um tom de medo na voz.
– É óbvio, não acha? A única maneira de consertar isso é fechando a caixa com todos os males dentro. – Responde Agnes com uma pitada de sarcasmo.
– Mas como? – Rafaela pergunta se esquivando de uma tentativa de golpe aplicada pela Ignorância.
Como pode a Deusa da virtude e de outras coisas boas ter saído da caixa junto com todas essas criaturas malignas? Talvez a caixa não comportasse somente coisas ruins, afinal.
– Peça ajuda a sua mesma amiga que lhe fez abrir a caixa. – Responde Agnes com tom de quem pode ajudar, mas não ajuda.
Neste momento, aparece uma mulher muito bem vestida, de cabelos ruivos e pele branca e suave, mas com um véu escondendo-lhe o rosto, ela, assim como Agnes, não aparentava ser um dos males.
– Pandora e Epimeteu, apresento-lhes a Curiosidade! – Agnes diz após soltar uma gargalhada divertida. Aparentemente, não é a primeira vez em que ela lidava com essa situação e claro, tudo aquilo soava um tanto quanto divertido para ela.
– Ok, Matheus, já sei o que fazer! Diz Rafa alternando seu olhar entre a Curiosidade e Matheus.
– Diga logo, Rafa! – O garoto responde agoniado.
– Veja! – Exclamou Rafa. Neste momento a Curiosidade estava com algum objeto em baixo de seu véu, balançando-o e dando gargalhadas. Aquela situação não só chamou a atenção dos dois jovens, mas também de todos que ali estavam, inclusive as criaturas malignas.
– Vamos usar nossa nova amiga, mas nem tão amiga assim, para atraí-los de volta à caixa. – Completa a menina avistando a caixa a uns 3 metros de si.
– Certo! – concorda o novo Epimeteu.
A Curiosidade começa a se mover para perto de Agnes que se esgueira para a esquerda para tentar ver o que tem de tão engraçado embaixo daquele véu, mas o que se ouve são apenas mais gargalhadas e mistério vindo da moça enigmática.
Rafa decide fingir não se importar com o joguinho da sua amiga misteriosa, por mais que aquilo fosse tentador, pois naquele dia ela e Matheus já tinham sido curiosos o suficiente. Fato este que causou profunda irritação na garota do véu. Foi então que a Curiosidade em contato com a Ambição de ter a atenção de mais curiosos partiu para cima de Rafa, que rapidamente a atirou a caixa de madeira, fazendo com que um forte clarão sugasse a moça centro das atenções para dentro do artefato de madeira. Aquilo fez com que todos , exceto Rafaela e Matheus, seguissem-na para dentro da caixa, atraídos pela vontade tentadora daquele mistério. A última a entrar foi Agnes, que também estava cega por aquele mistério.
Algumas horas depois, Rafaela acordou com a cabeça latejando como se alguém tivesse martelando seu crânio. Quando se deu conta de que tinha realmente alguém martelando algo, por sorte não a sua cabeça e sim um pedaço de madeira no solo. E após se recuperar do profundo sono resolve se reiterar da situação:
– Conseguimos? – dirige a pergunta ao garoto das marteladas, Matheus.
– Sim. Deu tudo certo e aquela maldita caixa desapareceu assim como aquele cenário fúnebre. Mas…veja o que eu encontrei.
O garoto havia encontrado algo enterrado no chão, com somente o cabo visível. Parecia se tratar de um martelo. Na ponta de seu cabo estava escrito Mjölnir pela ortografia parecia ser de origem nórdica. De repente o tempo se fechou e podiam ouvir alguns trovões agressivos vindos do céu escuro de nuvens raivosas.

FIM