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Proposta de apresentação vencedora do nosso escritor Sorley Sales:

Quatro de Abril, 3 dias antes do crime.
(SELLY HANK QUER PERDER A VIRGINDADE)
A manhã daquele dia acordou amarga e fria, com uma nuvem densa pousando na cabeça dos moradores de Londres, mais especificamente da pequena Dorric Ville. Selly Hank estava parada na varanda, olhando para o horizonte nevado. Deu alguns passos em direção a grama brumosa, apertando firme o casaco contra o corpo e enrolando ainda mais a echarpe no pescoço delgado.
Por um minuto pensou ter visto uma lebre correr feliz do outro lado da estrada, e logo depois ser devorada por algum tipo de animal regional. Faminto e cruel. Os seus olhos pesaram rudemente em um caminhão que passou rápido e deliberadamente pela estrada retilínea, que daria uma curva somente um quilômetro depois. O motorista a olhou com fome nos olhos. O bigode ruivo acentuava com o boné cor de limão, as luvas de couro pousadas firmemente no volante. Selly baixou a cabeça e riu quando ele continuou o percurso.
– O que está fazendo aqui fora, sua merdinha? – Benjamin Scoob era um homem de um metro e oitenta, com barriga saliente, uma blusa de madeireiro, bigodes sujos de fuligem e a voz rouca e catarrenta. – Não a autorizei a sair! Volta para casa! JÁ!
O homem pegou no braço da garota e apertou.
– Larga! Seu porco maldito e alcoólatra! – reclamou Selly, se desvencilhando do padrasto.
Benjamin Scoob não tinha sido casado com Aurora Hank, mãe de Selly, mas vivera por dois anos naquela casa de beira de estrada, tempo suficiente para considerar-se parte da família. Desde que Aurora fora enterrada, Benjamin trata a garota como uma empregada boazuda que faz o que ele pedir. Sabe como é! Manda quem pode, obedece quem tem juízo! E decididamente Benjamin havia adotado a frase como lema de sua convivência com a enteada.
– O que você disse, merdinha?
– Isso mesmo! Seu porco nojento e mal cheiroso! – a garota encarou o padrasto com um olhar severo, como se extraísse daquela pupila o máximo de enfrentamento possível.
A ação seguinte deu-se ao levantamento da mão gorda de Benjamin e a uma bofetada certeira no rosto da garota. Selly cambaleou para o lado e esfregou o rosto dolorido.
– Para casa! AGORA! – ordenou Benjamin Scoob, dando dois passos para a esquerda e um para a direita. Era um bêbado sem escrúpulos que se apossava do BAR NICKJOY e bebi todas até tarde da noite, o que significaria voltar pela manhã para continuar a esvaziar todas as garrafas de cerveja do local.
Selly correu o máximo que pôde para casa, direto para o quarto. Trancou a porta num empurrão nervoso e deitou-se na cama. Não passara nem um minuto quando decidiu levantar-se, vestir a jaqueta, pegar o celular e discar o número que estampava-se num papel embolado sobre a escrivaninha:
– Alô… Klein?
– Ah… oi, oi… Alô? Quem é? – falara uma voz masculina do outro lado da linha.
– Oi, eu… Selly, lembra?
Por alguns segundos o silêncio persistiu. Delicadamente a voz voltou.
– Ah, claro… Oi Selly! Está tudo bem? – falou Klein, preocupado.
– Eu queria saber se tem alguma coisa para fazer esta noite?
– Ah, não… com certeza não!
Então ela não iria jogar uma oportunidade fora. Selly era virgem, e isso fazia as suas amigas rirem e deixarem-na para trás por isso. Conhecia Klein há um mês, quando flertaram na Loja de roupas Marrie & Joshie. Queria que o garoto a fizesse enlouquecer em uma cama, era assim que Selly pensava em sua primeira noite de amor. Então marcara de se encontrar com o rapaz no FALCOM, restaurante ao norte de Dorric Ville.
– Abra aqui, sua merdinha! ABRA! – O padrasto esmurrava a porta. – Estou com vontade de lhe dar mais uma surra! ABRE! VAMOS!
Selly tomou o celular para si, um caderno de anotações e levantou o dedo do meio na direção da porta. Rindo ela pulou a janela e correu. Correu o máximo que pôde. Correu horrores.
Foi a última vez que tivera contato com o padrasto.
(CLARE PENNY RECEBE UMA VISITA)
Televisão ligada. Aparelho de som no volume máximo. Clare Penny de pijamas. Típico do dia da garota. Quase não ouviu a porta bater. Quando ouviu, abaixou tudo e notou que Selly Hank estava em pé e lavada de neve dos pés a cabeça.
– Selly? O que aconteceu?
– Eu deixei aquele porco nojento grunhindo em casa e fugi!
– Fugiu? – assustou-se Clare, tendo necessidade de perguntar uma segunda vez. – Como assim fugiu?
– Fugi, Clare! Simplesmente!
A garota não insistiu mais em saber o motivo. Sabia que Benjamin Scoob era o tipo de homem que comia mulheres no bar do amigo quando estava bêbado até o miolo do cérebro; sabia que ele não era o tipo de pessoa respeitável e padrão de padrasto.
Passaram o resto da manhã conversando. Almoçaram juntas e deitaram-se no chão acarpetado da sala, admirando o teto, vira e mecha rindo do nada.
– Quando vai me apresentar esse tal de Klein? – perguntou Clare, insistindo pela quinta vez só naquela semana.
– Talvez não seja o momento, Clar. Talvez ele seja tímido.
– Talvez ele seja virgem como você, querida!
As duas riram alto.
– Não. Acho que não. – falou Selly, parecendo saber alguma coisa secreta do rapaz.
Dessa vez Clare riu sozinha.
Clare Penny tinha voltado de Paris um ano antes. Fora a convite da tia Meredith, e passara alguns meses na cidade. Havia conhecido um garoto por lá, com quem namorara durante os seis meses que ficara na região. Às vezes sentia falta de Neil Flembvar. De ver e sentir o rosto dele e o seu toque quente na pele dela. Mas desde que ela voltara se falam somente por telefone. Nada mais que a voz de Neil para fazer Clare não perder as lembranças. Um gato amarelado pulou no colo da garota. Mister Pob. O felino tinha vindo da casa da tia. E vivia desde então no recinto Londrino.
– Vou pegar chá! Quer também? – ofereceu Clare, levantando-se, fazendo o gato pular para o outro lado, e se direcionando à cozinha.
– Sim. Por favor. – Selly ficou ali, deitada no carpete, sorrindo ao pensar no rosto de Klein. Como seria o encontro? Proveitoso? Frio? Romântico?
Pensou nos olhos verdes e profundos do garoto. Era bonito. Tinha cabelos dourados e quase vinte anos. Um monstro parecia urrar em seu peito. Ainda mais alto depois que começou a imaginar como seria ela e Klein em um quarto. O monstro urrou. Urrou ainda mais. Urrou mais alto.
Não era prazer. Era um alerta!
(ALICE McCLEIN TOMA UM CAFÉ)
As duas tinham ligado no fim da manhã para marcar o café. Alice esperava ansiosamente Selly Hank e Clare Penny em uma Cafeteria a leste de Dorric Ville, a ROSES COFEE. Alice McClein estendia uma carta sobre a mesa e lia com atenção. Sua mãe, Janice McClein, a escreveu da Itália. Fazia três anos que mãe e filha não se viam, e isso confrontava um passado de felicidades juntas e provavelmente um futuro de aproveitamentos familiares. Mas por enquanto se sentia bem. Há dois meses namorava um cara, que proveitosamente a estava fazendo muito feliz.
A garçonete trouxe dois minutos depois um café com biscoitos recheados. Alice mergulhou um biscoito no café e pôs na boca. Depois mergulhou outro e o mordeu bem devagar. Em seguida mais outro, e outra mordida. E então a sineta da porta tilintou e duas garotas entraram rindo. Se dirigiram para a mesa de Alice e sentaram-se com a menina.
– Minha mãe enviou mais uma carta! – Um sorriso branco e aberto o suficiente para causar uma distensão facial apareceu no rosto da garota. – Ela vai enviar uma passagem para mim daqui a um mês!
Ela deu um gritinho ousado e as outras garotas também ficaram felizes.
Meia hora decorreu desde o início da conversa, e então ocorreu das três irem ao banheiro juntas.
Alice McClein ficara de frente ao espelho retocando o batom. Clare Penny lavava as mãos, enquanto Selly Hank saía da cabine feminina.
– Talvez vocês sejam as garotas mais sortudas do mundo!
– Do que você está falando? – perguntou Alice e Clare, em uníssono.
– Vocês não queriam conhecer Klein? Talvez ele tenha esquecido isso aqui! – A garota estava feliz e segurava algo nas mãos. Um moderno celular. – E aqui está ele!
Alice deixou o batom sobre a pia e correu para perto de Selly. Clare fez o mesmo, encarando a tela do celular segundos depois.
– Este é Klein! – A tela do celular indicava um rapaz muito bonito, com cabelos loiros e um olhar verde delicado. O sorriso incomum postava-se no rosto. Usava um belo terno e uma gravata branca.
– Não… Não é ele… Não pode… Como? Não pode ser… esse é…. Não…
Alice foi se afastando, os olhos marejados.
– Diga-me que você não está com ele, Selly! Diga! – interrogou Clare, encarando a amiga.
– Sim. O que aconteceu com vocês? É ele… esse é Klein…
– Esse não é Klein! – falou Alice. – Esse é Franklin! O meu namorado!
– O quê? – disseram ao mesmo tempo Selly e Clare.
Clare interrompeu e disse:
– Não… esse é Neil! – E quando viu a expressão no rosto das amigas, continuou: – O conheci em Paris, há um ano! Nós namoramos e continuamos a nos falar todos os dias…
Mas antes que tivessem tempo de falar mais alguma coisa, Selly viu no celular dois vídeos. Um deles era Clare com o suposto rapaz em um momento íntimo na cozinha de um hotel, fazendo amor. Outro era Alice McClein em um quarto de motel com o mesmo rapaz, fazendo a mesma coisa.
– ELE GRAVOU ISSO? – gritou Alice. – COMO ELE FOI CAPAZ!
Clare estava nervosa demais para falar alguma coisa. E então o celular tocou.
– Alô? – Selly não poupou esforços para atender e pôs no viva-voz.
– Olá, meninas! Não se preocupem! Eu amo todas vocês!
– SEU ORDINÁRIO! – gritou Alice para ele, e ouviu uma risada do outro lado da linha. – Como pôde fazer isso comigo?
– Eu só quero jogar… aceitam?
– VAI PARA O INFERNO, SEU DESGRAÇADO! – agora fora Clare quem tomara a dianteira e gritara.
– Ah, olá, minha querida Clare! Que bom ouvir a sua voz! Terei o prazer de jogar o meu jogo com você também!
– Vamos destruir esse celular nas chamas, seu ordinário! Nunca mais entre no nosso caminho! – As palavras firmes e seguindo uma linha reta e dura de Clare atingiram os ouvidos do rapaz como uma nota de violino. E então ele respondeu:
– Ah, claro. Podem jogar o celular nas chamas! Vão em frente! Tenho todos os vídeos arquivados no computador! Vão em frente! Façam isso!
As três se entreolharam, e de repente Selly falou:
– O que quer que nós façamos?
– Ah, minha linda Selly, eu já disse! Vamos jogar! Só o que eu quero! – E riu por um segundo do outro lado da linha.
– Não faremos merda nenhuma, seu imbecil nojento! – encarou Clare. – Caso ele divulgue os vídeos ou faça algo que possa nos atingir por meio deles será crime!
Dessa vez uma risada mais forte surgiu na linha. Parecia assistir a uma comédia do ano.
– Bem, minha querida Clare, não sei se você reconhece bem os termos associados a palavra crime! Talvez crime seja matar uma pessoa em uma pousada durante as férias de verão há dois anos.
Clare espantou-se. Entonteceu e recostou-se na pia. Como ele sabia disso? Não. Ninguém sabia! Como?
– O que quer que a gente faça? – perguntou novamente Selly, ignorando o fato relatado sobre a amiga um segundo atrás.
– Muito bem. Boa garota, Selly. Estou orgulhoso! Bem… para começar… venha jantar comigo normalmente como você marcou! Mas não hoje! Amanhã, no mesmo horário! Agimos normalmente! E lhe darei todas as coordenadas para que possamos começar o jogo!
– Tudo bem. – foi a última coisa que Selly disse antes de desligar o celular.
– Você vai se encontrar com ele? – perguntou Alice, limpando as lágrimas que rolavam pelo rosto.
– Sim. Tenho que ver o que ele quer. E por que sabe sobre coisas que nem nós sabemos! – E nisso encarou Clare, dando a entender que o fato da pousada nunca tinha sido comentado pela garota.
Selly Hank, Clare Penny e Alice McClein estavam numa enrascada sem tamanho! Nas mãos de um jogador, como ele próprio se autodenominara. O dia lá fora escurecia. Uma delas estaria morta em alguns dias? Duas? As três? De qualquer forma o jogo já começara.

Proposta de apresentação vencedora do nosso escritor EdCampanate:

(Ainda no Rose Cafee)
As amigas estavam confusas com o que acontecera. Selly era a mais tranqüila das três meninas, apesar do seu dia ter começado muito conturbado, ela havia se livrado de uma surra de Scoob, o crápula do seu padrasto que achava que era seu pai.
Benjamin Scoob nunca seria alguém para ela. Pensou, onde sua mãe vira algo de interessante naquele indivíduo? O cara não tinha modos nem pra sentar-se à mesa. Aquilo tinha que viver num chiqueiro. E agora outro Scoob bagunçando sua vida. Não queria aquilo para ela. Não mais com Klein, Franklin, Neil ou sabe lá quem era aquele homem de mil faces. O desgraçado que a deixou decepcionada.
— Meninas vamos arrumar essa bagunça, pois ficar neste baixo astral não nos ajudará em nada. Talvez isso ainda possa ser divertido — entusiasmada Selly disse como se já tivesse um plano.
(Ainda no Rose Cafee)
Alice e Clara ainda estava longe de entender tudo o que estava acontecendo tão rápido e acharam muito estranho aquele “divertido” vindo daquela menina virgem.
— Sempre há uma solução quando as coisas parecem sem saída — disse Selly firmemente tentando convencer as amigas que olhavam para ela sem piscar os olhos.

Apesar de ter ainda quinze anos seu corpo de belas formas faziam com que as pessoas lhe dessem mais alguns anos. A pele branca com as bochechas rosadas da face dava lhe um aspecto de uma linda princesa. Tudo isso era realçado pelos enormes
olhos azuis que ganhara da mãe e os volumosos seios escondidos debaixo do casaco marrom feito de lã. Seios que deixavam Benjamin Scoob excitado.

— Como faremos isso? — disse Clara caminhando para fora do banheiro e ao lado de Alice e Selly vinha mais atrás.

— Temos uma vantagem sobre ele — lembrou Selly. Suas amigas não tiravam os olhos dela, elas estavam muito desanimadas.

Tudo aquilo estava sendo assustador para as três.

— Ele quer um encontro comigo, se lembram? Eu poderia de alguma forma arruinar esse plano ridículo dele. — continuou Selly muito confiante na suas idéias.

Naquela tarde as três passaram a maior parte do tempo arrumando um jeito de dete-lo, aquela cabeça do mal. Um pervertido que pretendia difamar as meninas de Dorric Ville.

(No quarto de Alice)

Selly não tinha onde passar aquela noite, mas Alice a convidou para ficar em sua casa. Alice sabia que ela não poderia voltar com aquele idiota lá dentro. Bêbado e com outras mulheres. Mas isso ela só poderia resolver mais tarde. A prioridade naquele momento era suas amigas.

Assim que Selly colocou um pijama floral de Alice, os primeiros sinais de cansaço aparecem naquelas duas faces angelicais. A bi-cama acomodou as de forma confortável. Alice virou para lado e dormiu. Selly, ainda acordada pensava longe.

Naquela escuridão, Selly notou uma luz que vinha de cima do criado, aquilo estava a incomodando. A luz vermelha piscava intermitentemente, ela levantou-se ficando sentada na cama e pode notar que aquilo vinha de um celular. O celular de Klein. Foi até o aparelho e o segurou. Tinha dificuldades para enxergar, então franziu a testa, fixando os olhos no visor do aparelho.

Nele havia uma mensagem. “Selly, cuidado! Você está em perigo”

— O quê esse maluco está querendo — murmurou e em seguida apagou a mensagem voltando para cama.

Proposta de clímax vencedora da nossa escritora LariSantos:

Selly não conseguiu dormir após ler a mensagem, afinal Klein não tinha nenhum vídeo dela, apenas de suas amigas, era um pensamento egoísta, e ela detestou que esse tipo de pensamento tenha saído dela ,mas decidiu continuar com o plano e logo adormeceu.
Assim que o sol começou a nascer Alice levantou, não muito animada com o viria pela frente, apenas desejando que esse tempo de vinte e quatro horas passasse logo. Fez o café e foi acordar Selly, mas quando chegou no quarto ela já estava acordada e com o celular de Klein na mão, e com uma expressão nada agradável.
– Ai meu Deus Selly, o que foi dessa vez?
– Isso não é nada bom.
– Menina para com isso, fala logo.
– Liga para a casa da Clare agora, vai rápido.
Como Selly suspeitou, Clare havia desaparecido nessa madrugada, logo após de ter recebido a mensagem. E quando acordou tinha uma nova mensagem só que dessa vez sem o número, mas com a frase “Pode até demorar, mas você sempre vai colher o que plantar”. Não que para Selly fizesse sentido na hora mas seu primeiro pensamento foi em Clare e ela estava certa.
O desespero só aumentava, e não podendo fazer algo, aguardaram até a hora de encontrar o Klein, tudo dependia desse encontro, até que receberam outra mensagem, novamente sem número, mas com um aviso “Selly não sejá tola, pagar pelos erros dos outros não te torna um pessoa melhor”, Alice começou a chorar, implorando para que ela não fosse encontrar aquela louco.
– Por favor, não me importo de ser exposta, não quero perder você.
– Alice, precisamos saber o que aconteceu com a Clare.
– Você quer saber? Ela fugiu, pelo simples fato de não se importar com a gente.
– Nada que você fale vai me impedir de ir nesse encontra.
E assim foi, mas chegando lá antes mesmo de entrar no local combinado, ela encontra o padrasto, e nesse momento Selly percebeu…

Proposta de desfecho vencedora da nossa escritora Deborah Pimentel:

( Em frente ao restaurante FALCOM )
… que estava completamente ferrada, e que seu padrasto era o culpado daquilo tudo.
– Então quer dizer que você gosta de homens mais velhos? Não é mesmo? – Seu padrasto a olhou de forma maliciosa e quase a fez cair para trás em um susto.
– O que… você está fazendo aqui? – Selly perguntou assustada e com medo.
– Não é óbvio? Ou preciso chamar o Klein? – Perguntou. – KLEIN! – Ele gritou com seu tom alto e grosso. O homem ao qual uma vez Selly pensou em ter alguma coisa, até mesmo ir para cama com ele. Apareceu atrás de seu padrasto e com um sorriso nos lábios.
– Devia ter me deixado pega-la antes! -Klein falou em um tom brincalhão e parecia estar decepcionado por não poder ter seus desejos realizados.
– Não pense asneiras. Ainda bem que vim aqui. – O Padrasto falou.
Selly estava pronta para correr, aquilo era de mais para ela. Devia ter prestado mais atenção na mensagem de Klein, e ter sumido. Mas seu padrasto a segurou, antes que ela o pudesse fazer.
– Fique aqui, temos um jogo para jogar. – Falou Benjamin Scoob. – Não quer perder a melhor parte, não é mesmo? Ah, antes que você pense algo, a melhor parte é você. Agora vamos! – Ele começou a puxa-la para perto de seu carro, ela poderia gritar, mas ela não o fez, seria inútil. Ele a colocou no carro e ao seu lado se sentou Klein, e o padrasto foi para o banco de motorista e começou a conduzir para um lugar distante, mais precisamente um galpão afastado da cidade. Chegando lá ele a arrastou para fora do carro, e os três entraram por uma porta toda acabada. No galpão: Suas duas amigas amarradas e um homem sentado as observando.
Selly sabia muito bem quem ele era, Daniel Triven, vivia lá em sua casa, com seu padrasto nojento. Eles a olhavam e ela tinha medo disso. A garota foi jogada ao chão junto com suas amigas. E elas se entreolharam, o medo estava visível no rosto das garotas.
– ALGUÉM DA PARA ME EXPLICAR O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI! – Gritou Selly. Sua coragem de gritar em uma situação dessa fez os três homens rirem.
– Muito bem, Selly. – Disse Daniel. – Explicaremos para vocês. O joguinho todo. – Ele riu de um jeito pavoroso.
– Eu estou com medo. – Sussurrou Alice para as amigas.
– Eu também estou. – Clare falou no mesmo tom que a amiga.
– Vamos sair daqui, eu prometo. – Falou Selly tentando dar um pouco de confiança as amigas, ela queria arranjar um jeito de reverter essa situação e ter duas amigas se cagando de medo não iria ajudar muito. Não que ela não estivesse, mas para quem conviveu sozinha em uma casa com esse padrasto nojento, medo é só uma pequena rotina.
– SAIREMOS DAQUI DEPOIS DE SERMOS ESTUPRADAS POR ESSES NOJENTOS? OU MELHOR, MORTAS? – Gritou Clare.
Klein, Franklin, Neil ou seja lá o nome desse pervertido, começou a rir e se aproximou de Clare. Se ajoelhando a sua frente.
– Não pense uma coisa dessas de mim, amor. – Ele falou a encarando. Colocou a mão sobre seu rosto, mas ela recuou.
– EU TENHO NOJO DE VOCÊ. – Ela gritou.
– Eu sei que não. – Ele sussurrou.
– Vamos parar com isso. – Benjamin Scoob falou. – O jogo está na melhor parte.
– Que jogo? – Perguntou Alice.
– É simples. Eu namorava Clare, essa coisa linda. – Klen falou se levantando. – E fui contatado pelo Benjamin. Olha que incrível. – Ele riu.
– Vá direto ao ponto! – Falou o padrasto.
– Ele me propôs uma coisa, um belo dinheiro por um vídeo de minha namorada e eu juntos. Era uma boa grana. – Klen falou e riu.
– Você é um nojento! – Gritou Clare. – Eu não acredito nisso.
– Quieta. – Ele falou. – Foi o que eu fiz, gravei um vídeo e mandei a ele. No começo achei estranho, mas me explicou tudo. E eu resolvi participar mais. Então vim para cá, e fiz o mesmo com a Alice. Precisava dos dois vídeos para o joguinho. E eu estava pronto para terminar o trabalho, e olha que a terceira vez foi bem fácil. O que é isso Selly. Nem precisei te chamar para um encontro e você já fez isso. Você iria se encontrar comigo, eu te traria para cá e Benjamin faria o resto. – Ele riu novamente. – Vocês estragaram tudo achando aquele celular. Mas pensamos em outro plano para o joguinho. Até que deixou mais divertido. E tivemos que pegar as três, o que deu um belo trabalho.
– Eu quem o diga! – Falou Daniel.
– É o seguinte: Eu quero você, na verdade sempre quis. Mas eu não poderia ser preso, então planejei junto com eles isso tudo, Selly. – Falou o padrasto.
A garota estava cada vez mais assustada, e mil coisas passavam pela sua cabeça.
– O que… o que você quer dizer com isso? – Ela perguntou e engoliu em seco, ela não queria saber aquela resposta.
– Eu não preciso nem falar. Mas bom, o Neil não explicou a melhor parte do jogo, claro, depois de você, querida. – Ele olhou para Selly.
– Que melhor parte do jogo? – Perguntou Neil confuso.
– O que faremos com três garotas aqui? Iriamos ser pego. Eu poderia ser preso. – Ele tirou uma luva do bolso e colocou na mão direita. Depois pegou uma arma de seu outro bolso, e começou a conferir as balas. – Eu tive uma ideia maravilhosa com meu querido amigo Daniel. Não é mesmo?
– Ótima ideia, aliás.
– O que vocês estão falando? – Perguntou Neil.
– Você, sequestrou essas três garotas e as estuprou. Certo? E depois Selly te matou. – O padrasto apontou a arma para a cabeça de Neil, destravou-a e sem dar tempo de nada o matou com um tiro só na cabeça.
As garotas gritaram e o choro que a pouco era disfarçado, estava totalmente desesperador em cada uma.
– Era um bom rapaz. – Concluiu o homem.
– Agora, sua vez. Selly. – Ele se aproximou da garota e colocou a arma em sua mão. – Você o matou por que ele estuprou vocês. Estamos entendidos?
As mãos de Selly começou a tremer, ela tinha um plano. Ela o mataria. Mas quantas balas teria na arma? Ele entregaria se ela tivesse alguma?
– Me deixe a só com elas. – Ordenou Benjamin Scoob. – Te pagarei depois.
Seu comparsa concordou e saiu porta a fora. E a fechou em um baque.
O padrasto voltou a atenção para ela, mas Selly já estava em pé e mais distante dele. Com a arma em suas mãos. O mais firme que ela conseguia. E apontou para ele.
– SE AFASTA! – Ela gritou. Suas amigas gritavam para ela parar de ser louca. E tentavam se soltar das cordas que prendiam seus braços.
– Ouça suas amigas. – Benjamin falou. – Não tem balas ai.
– Será que não mesmo? Seu alcoólatra nojento. Você deu um tiro, ou seja, uma bala. Você vai matar elas. Não vai? – Selly perguntou. – Você precisaria de mais balas. E eu me arrisco a dizer que estão aqui dentro. – Ela balançou a arma um pouco.
Ele riu alto, mas seu olhar estava bem concentrado nela.
– Mesmo se tivesse alguma bala ai, você não teria coragem de atirar. – Ele falou confiante e foi pra cima dela com tudo para tirar a arma de suas mãos. Mas ela foi mais rápida e disparou vários tiros em direção a ele, o que o fez cair sangrando.
– O jogo acabou. Para você.