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Proposta de apresentação vencedora da nossa escritora Katharyne Chinaia:

Eu achei muito bizarro quando começou, estava passando no noticiário, todos pensaram que fosse alguma divulgação para um novo filme de terror, quando começaram a surgir mais e mais e enfim perceberam que estavam totalmente enganados. Em menos de cinco minutos a cidade já estava um caos, saquearam lojas e supermercados, tentavam levar tudo que pudessem. O governo, por sua vez, fez o máximo que pôde, fechou a cidade por inteiro, ninguém entrava e ninguém saia, em uma tentativa de conter a praga, o que não adiantou muito, pois muitos soldados largavam seus postos e iam à busca de sua família e sobrevivência. Meus pais estavam no trabalho, fiquei telefonando o dia todo, e em todas as vezes eu era direcionado a caixa postal sem ao menos chamar, continuei tentando até que dois dias depois a energia foi cortada, eu não sabia o que fazer, só chorar. Fiquei trancado em casa por quatro dias, na esperança de que meus pais pudessem voltar, não foi o que aconteceu e então eu percebi que eu estava completamente sozinho. Como não tinha nada para fazer, eu passava horas observando aquelas coisas pela janela e pensando em uma maneira de como sairia em busca de meus pais. Nunca os encontrei, porém, encontrei um grupo de sobreviventes que me receberam de braços abertos e nunca mais os larguei.
Em cinco meses, passamos por lugares incontáveis, perdemos cerca de uma dúzia de pessoas e ganhamos cerca de dez. Sinceramente? Eu já estava cansado de ficar seguindo para qualquer lugar e lugar nenhum, eu queria estabilidade, acontece que, ninguém me dava ouvidos, só ordens e mais ordens, essa é parte ruim de ter apenas dezoito anos, todos pensam que você é jovem demais para saber lidar com assuntos de “adulto”.
Nâmbulos, era assim como os chamávamos, não gostávamos de chama-los de zumbis ou mortos-vivos por causa das crianças, muitas acreditavam que eram sonâmbulos, mas de uma maneira meio diferente, às vezes eu achava aquilo uma bobagem, elas tinham o direito de saber o que realmente eram, até porque, um dia teriam que enfrenta-los. Eu cuidava do perímetro com mais três homens e uma garota que se achava durona o suficiente para aquela função, demorávamos um dia para desenhar um mapa do local e mais dois para ter marcações o suficiente para considerar aquela área como altamente insegura, mas não dessa vez.
Um dia desses fomos além do perímetro em busca de suprimentos, íamos em duplas e eu sempre ficava sozinho, e foi então que tudo aconteceu, não muito longe de onde estávamos, encontrei uma caverna, a entrada ficava a uns dois metros de altura, o que seria impossível para nâmbulos subirem, pensei que aquela caverna poderia nos servir como abrigo, além disso, o frio estava se aproximando e ali poderíamos nos manter aquecidos. Então, decidi entrar para dar uma olhadinha rápida…

Proposta de desenvolvimento vencedora da nossa escritora  Katharyne Chinaia:

A caverna era enorme, bem mais do que eu imaginava, e o silêncio era absoluto. Havia muitas passagens, cinco para ser exato, eram como se fossem tuneis. Decidi entrar na que se encontrava no centro, ela era estreita e em grande parte seu percurso era uma descida íngreme, ao longo em que fui caminhando, comecei a sentir uma leve brisa e a escuridão começava a desaparecer lentamente. Continuei andando por cerca de mais dez minutos quando avistei um lago, um grande lago azul, e acima dele, um céu mais azul ainda. Eu só poderia estar sonhando, esse lugar seria perfeito para viver, teríamos água, iluminação e proteção. Eu tinha que conseguir fazer com que todos viessem para cá.
Do outro lado do lago, pude avistar uma única e escondida passagem, o único problema seria em como atravessar o lago. Eu não precisei pensar muito no que fazer, por sorte, havia uma parte mais rasa em um dos lados do lago e daria para passar por ali tranquilamente. Foi exatamente o que eu fiz, tomando muito cuidado para não escorregar, consegui chegar, entrei na passagem e segui em frente. No final dela, qual eu pensei que não existia, havia uma grande porta de madeira, nunca fiquei tão surpreso quanto naquele momento.
A dúvida tomou conta de minha mente, eu não fazia ideia do que poderia estar atrás daquela porta e nem sabia se queria saber. Aquilo era totalmente impossível, como poderia haver uma porta, ou alguém, em uma caverna que se localizava no meio do nada?
Sem mais delongas, decidi descobrir, aliás, de qualquer maneira eu já estava ali e precisava explorar o local para saber se era seguro o suficiente para mim e para o meu grupo. Encostei o ouvido na porta em uma tentativa de ouvir algo. Nada. Nenhum um som sequer. Logo conclui que não deveria ter nada e nem ninguém, então, eu entrei…
O cheiro era péssimo, e o lugar era bem organizado, por sinal. Era uma sala enorme e bem iluminada –aparentemente, havia energia ali- e que me lembrava dum hospital, tinha instrumentos cirúrgicos de todos os tipos, cadernos com inúmeras anotações, frascos e mais frascos do que aparentava serem experimentos e outros frascos com alguns tipos de substâncias desconhecidas por mim. Fiquei ali observando e tentando entender o que era tudo aquilo por um bom tempo, até que eu comecei a ouvir vozes, estavam vindo de outra porta, eram duas mulheres.
– Não, não podemos fazer isso, ele iria nos matar! – Disse uma delas.
– Deixe de ser imbecil, Jasmine! Ele nunca vai desconfiar. – Disse a segunda
– Não é tão simples assim, tá legal?
Elas estavam se aproximando, eu precisava me esconder. Corri para um vão entre a parede e dois armários, tive que empurrar um deles para conseguir entrar e então puxar de volta para que pudesse ficar bem escondido, por sorte, ele tinha rodinhas. A porta finalmente se abriu, elas entraram, as duas eram morenas, porém uma era mais baixa que a outra e tinha uma cicatriz no rosto que ia da testa até o queixo. Elas estavam segurando um deles, estavam segurando um nâmbulo.
– A aparência desse ficou ótima depois daquela limpeza de pele. – Falou a da cicatriz, e as duas começaram a rir.
– Com certeza!
Então, colocaram o nâmbulo em uma cadeira, ele parecia… inofensivo. Ele estava meio fora de si, não estava agindo da mesma forma dos que ficavam do lado de fora, parecia estar se comportando como humano, aquilo era extremamente estranho e me deixou apavorado. Eu tinha que dar um jeito de escapar dali o mais rápido possível.
– Jasmine, me ajuda a colocá-lo na mesa. – Pediu a mais alta.
– Ah Cassie! Não podemos fazer isso com ele ai? Essa coisa é nojenta.
– Claro que não! Vai logo.
Acontece que, em uma situação como essa você deve estar preparado para qualquer coisa que venha a acontecer, e eu não estava nem um pouco. Após colocarem o nâmbulo e o prenderem na mesa, elas saíram, e essa era a minha única chance. Assim que sai de meu esconderijo e me pus a andar, ouvi a porta atrás de mim se abrir.
– Ora, ora, ora… Nem mais um passo, mocinho! Quem é você?
Eu me virei e a olhei, era a mais alta, a Cassie, ela apontava uma arma para mim.
– É…eu estava… – Tentei responder.
– NÃO OUSE SAIR DAQUI! Você vai deixar suas coisas no chão, vai sentar naquela cadeira e vou te prender, se você tentar fazer qualquer coisa, eu te mato. – Ela gritava;
Fiz exatamente o que ela mandou sem hesitar, eu não sabia o que fazer para sair dali, e o pior de tudo, ninguém sabia onde eu estava.

Proposta de clímax vencedora da nossa escritora Kellen Bonassoli:

O que mais eu poderia ter feito?
As pessoas sempre pensam que saberiam lidar com a ameaça de uma arma.
Besteira.
Meu corpo entrou em colapso com a simples possibilidade de levar bala na cara.
O rosto de Cassie contorcendo-se em gritos de ordem tornou tudo ainda mais complicado. O ar não chegava aos pulmões, o coração parecia querer rasgar a pele para fugir sem seu dono. Todos os meus sentidos renderam-se ao medo e ao desespero pela sobrevivência. A única opção que eu tinha era obedecer.
Antes de pensar em qualquer coisa ela já estava com a arma no meu rosto. A voz dela emaranhou-se na minha mente e eu sentia uma vontade irresistível de obedecer.
– Senta direito. Não olha para mim, desgraçado. Não tente nenhuma gracinha ou juro que vai ser a última.
Quando me dei conta já estava com os punhos e pés imobilizados naquela cadeira.
O nâmbulo, a poucos metros de mim, contorcia-se em convulsões. Parecia que choques percorriam o corpo semi-morto da criatura. Se havia alguma humanidade ali, esvaia-se minuto a minuto.
– Cassie, ele é apenas um garoto. Provavelmente está contaminado. Como ele conseguiu chegar até aqui?
– Não faz diferença, Jasmine. Se a gente não conseguir, não tem futuro possível para nenhum de nós. Que diferença faz ter 16, 18 ou 60? Mais cedo ou mais tarde, todos vão virar essas coisas.
Sabe quando você está sonhando? Aquela sensação de semi-consciência que precede o despertar? Eu estava me sentindo mais do que preso, sentia a consciência afastando-se de mim. A visão ficava turva e as vozes pareciam abafadas. O que estava acontecendo comigo?
Do pouco que consegui ouvir, entendia que estavam discutindo sobre o meu estado, sobre o meu futuro e sobre o futuro de toda a humanidade. O que era aquilo? O que fariam comigo?
– Meu Deus, ele está em choque, Jasmine. Precisamos deitar o garoto. Chame o Fernando. Não podemos perder um exemplar tão perfeito.
As luzes corriam sobre os meus olhos e uma série de coisas aconteceu simultaneamente.
Uma sala cirúrgica? Médicos?
Uma série de vozes inquisidoras, mas eu já não conseguia responder.
Um zumbido forte penetrou meu crânio como uma furadeira, e então ouvi aquele grito horrível.
Era o meu grito!

Proposta de desfecho vencedora da nossa escritora Lis:

Eu havia adormecido por algum tempo. Acordei em uma sala, iluminada apenas por uma única luz no centro, sento-me na cama em que estava deitado para organizar melhor as informações que tenho em minha mente. Logo a porta do quarto se abre, não sei quem é aquele, mas me parece ser Fernando,logo atrás vem Cassie. eles conversam entre si:
–Parece que ele não é um Nâmbulo. –Diz Cassie, posicionada ao lado de Fernando com os braços cruzados, olhando para mim.
Fernando ignora o que Cassie diz e me faz uma pergunta:
–Qual o seu nome?
–Will. –Digo. Fernando se aproxima de mim, me permitindo olhar dentro dos seus olhos e perceber que ele tem um pinta próximo à sobrancelha.
–Como encontrou este lugar e de onde veio?
–Eu e um grupo de amigos saímos em busca de…
–O QUE? Existem outros sobreviventes? Isto é impossível, não sobrou mais ninguém depois do vírus ter se alastrado.
–Eu faço parte de um grupo de sobreviventes, próximo daqui, nós podemos ir lá e sei lá, talvez vocês possam…
–NÃO! não vamos à lugar nenhum. –Fiquei tenso naquele momento, eu queria apenas retornar para o grupo de sobreviventes, mas acho que deixei Fernando irritado e por isso não terei a menor chance de sair dali.
Fernando, juntamente com Cassie se retira do quarto. Fico desorientado e não sei se saio ou permaneço ali. Logo então decido sair da sala e procurar por alguém que me diga por que estou ali e para onde devo ir.
Ao sair da sala me deparo com uma escuridão que não parece ter fim. Até que vejo uma porta completamente de vidro e uma certa claridade vindo dela. Vou em direção a essa porta na esperança de encontrar alguém, pois ouço ruídos. E ao atravessar a porta vejo Jasmine, ela se assusta ao me ver e me diz para voltar imediatamente para a sala em que estava, e eu a pergunto por que, mas ela simplesmente me empurra para fora do cômodo tentando me fazer voltar para a sala, mas eu tenho mais força que ela e consigo fazer com que ela pare de me empurrar.
–Você tem que voltar para a sala de controle agora mesmo! –Ela fala baixo para que ninguém mais a escute. Ela olha pra mim como quem está inconformada com o fato de eu ainda estar ali ao invés de voltar para a sala.
–Sala de controle? Me responde uma coisa, por que vivem em uma caverna? –Digo.
–Grr… Olha não entende que… Tudo bem, vem comigo, irei te mostrar uma coisa.
Nós saímos da sala e ela me guia através das paredes grossas da caverna, ao som de gotas de água caindo a cada segundo.
–Olha… –ela aponta para algumas pessoas vestidas com jaleco branco trabalhando em algo que não sei o que é. –Eles produzem esses soros para tentar encontrar a cura para o vírus, por isso ficamos localizados em um lugar onde basicamente nunca ninguém irá nos encontrar, exceto você.
–Mas os outros sobreviventes tem o direito saber que há um departamento especializado em descobrir a cura para estas pragas. –Questiono.
Um alarme toca bem alto e chega a irritar os meus ouvidos. Logo percebo que indica o fim do expediente dos cientistas malucos, especializados na produção de soros para a cura do vírus. Todos aqueles cientistas se retiram da sala e Jasmine me diz que é hora de ir embora… Mas eu passo próximo á uma das mesas e recolo um frasco com um líquido azul dentro, na minha cabeça aquilo seria o soro, e eu realmente espero que seja.
Jasmine me ajuda a fugir daquele lugar me mostrando a saída, ela não sabe que peguei uma amostra do soro. Caminho por cerca de 1 hora até chegar á zona de quarentena. Decido então dormir e tratar de assuntos só na manhã seguinte.
No dia seguinte acordo com vozes e gritos vindo da sala de reuniões. “Temos que pensar em algo!” diz uma das vozes. Sem mal acordar direito, me dirijo a sala de reuniões para apresentar a todos presentes, oque recolhi ontem na caverna.

FIM